Rachel Prochoroff
Artigos (publicados ou não), contos, crônicas e uma ou outra poesia perdida do passado.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Ninguem sabe...
domingo, 19 de setembro de 2010
Denúncia
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Nuvens
domingo, 18 de julho de 2010
Mas o que está acontecendo??
Logo, logo, porém, espero ter tempo para postar aqui novamente!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Ninguém está vendo.
publicado na Revista Substrato - CEPEGE, IGc/USP (novembro/08)
“- Ligo pra você.
Com essa frase, os dois encerraram a conversa. Ela foi embora esperando esse telefonema ansiosamente. Ele, nem tanto.”
Essa cena poderia ser característica de qualquer filme piegas de sessão da tarde. Nele, a mocinha seria uma atriz bonita, de traços delicados, trajando um vaporoso vestido florido. Ela sairia de cena andando por uma rua de Nova Iorque, na primavera. Nós, espectadores, vê-la-íamos ir embora, saltitante, enquanto ele se voltaria para o lado oposto, colocaria as mãos no bolso do casaco leve e iniciaria sua caminhada deixando o lugar. Se essa cena acontecesse nos primeiros trinta minutos do filme, saberíamos que haveria um conflito que se resolveria ao final, levando as adolescentes sonhadoras às lágrimas. Porém, essa situação passa longe de um filme.
A cena em questão se desenrola em um saguão de uma empresa, após uma entrevista de emprego onde a moça desfiou seus planos de futuro e descreveu habilidades e defeitos de sua personalidade. O homem, um funcionário da área de Recursos Humanos a entrevistou, fazendo as perguntas padronizadas, com uma ou outra variação aqui e ali, para garantir o elemento surpresa. A moça não se saiu bem, faltou-lhe desenvoltura, conhecimento e experiência na área. O entrevistador, após anotar alguns rabiscos na ficha da candidata, escolta a moça até o saguão da empresa, onde se despede, dizendo a frase supracitada.
O desenvolvimento da história, corriqueira, é interrompido no momento em que a moça toma o elevador e deixa as dependências do prédio, pois o entrevistador nunca ligará para a candidata. Nem mesmo para lhe dizer o que foi que lhe faltou para conseguir a vaga. A assertiva “ligo para você” serviu como o que se costuma denominar, na Lingüística, fim de turno, ou seja, o sinal que um interlocutor envia ao outro para indicar que sua fala ou seu discurso foi finalizado. Em um processo de comunicação, o fim de turno é utilizado ad libitum para garantir que haja entendimento e os interlocutores não atropelem suas falas mutuamente. Porém, extrapolando-se minimamente a definição lingüística e utilizando um pouco de poesia, poderíamos dizer que nós, seres humanos, utilizamo-nos de diversos “fins de turno” ilícitos para nos livrarmos de situações quaisquer que assolem nossa zona de conforto.Em algum momento da década de 1970 houve a circulação de uma propaganda de cigarros que fazia apologia à malandragem e à necessidade de “ser esperto”. Nessa propaganda, o jogador de futebol da seleção brasileira Gerson se vangloriava de tirar vantagem das situações e por isso a justificativa para o comportamento em questão ficou conhecida como Lei de Gerson. Atualmente talvez seja bastante difícil encontrar algum jovem que saiba dizer de onde surgiu essa idéia. Porém, ela se encontra arraigada no comportamento da maioria dos brasileiros. É preciso ser esperto. Você deve levar vantagem em tudo. Se for preciso, minta. Distorça a realidade. Mude a descrição de um fato ou o ponto de vista de um acontecimento. Se alguém quiser confrontá-lo, finja desentendimento. E continue sua vida, obrigado, volte sempre.
Longe de ser somente uma idéia vilipendiosa e torpe, isso é uma estratégia social. Aprendemos desde cedo que dizer a verdade nem sempre é a melhor solução, especialmente se houver a possibilidade de magoar alguém. Torna-se preferível usar recursos como eufemismos, metáforas, parábolas e fábulas. Qualquer um de nós já se deparou com uma situação onde uma criança, cujo Superego ainda não foi totalmente desenvolvido, diz exatamente o que pensa, enquanto os adultos ao redor se contorcem de vergonha e os pais da criança lhe puxam as orelhas, muitas vezes, porém, abafando um riso, por saberem que as palavras proferidas, embora danosas, descreveram a mais pura realidade.
O Superego é a sociedade introjetada no indivíduo. A criança vai construindo a representação interna das normas sociais através de seu relacionamento com pais e adultos responsáveis por cuidarem dela. Um ser humano minimamente são, que apresente o desenvolvimento de suas habilidades cognitivas básicas, consegue aprender que há momentos em que certas coisas não devem ser ditas. A não ser que o indivíduo desenvolva problemas psicológicos ou psiquiátricos, ele aprende a utilizar a chamada “mentira cor-de-rosa” para conseguir se desvencilhar de situações que podem resultar em embaraços fenomenais. Quando isso não acontece, diz-se do indivíduo, na Psicanálise, que ele “não apresenta o Superego fortalecido”.
O problema básico proposto por Freud é que o ser humano apresenta “pulsões” – que poderíamos traduzir no linguajar cotidiano por “desejos”, ainda que esta palavra seja muito carregada de outros sentidos e de diversos usos que não necessariamente coincidem com a terminologia freudiana. As pulsões guiam toda uma série de comportamentos do indivíduo, mas as etapas pelas quais ele terá de percorrer para atingir o prazer dependerão do nível de coerção ao qual foi submetido e de sua capacidade de sublimação. Em outras palavras, o ser humano apresenta vontades, necessidades e desejos e a sociedade ensina estratégias “adequadas” para que nos apropriemos do prazer.
É claro que as linhas da Psicologia e até da Psicanálise divergem nesse sentido. Enquanto psicanalistas falam em pulsão e sublimação, behavioristas, por exemplo, dirão que o sistema de compensação do meio no qual o ser foi inserido será o fator delimitante decisivo para apontar quais mecanismos o indivíduo utilizará para alimentar suas vontades e necessidades. De qualquer forma, o ser humano apresenta instintos animais, características biológicas, medos, angústias e estratégias de sobrevivência. Juntos, todos esses elementos compõem um universo muito complexo onde ora o simbólico emerge, ora passa a ter caráter secundário, tornando cada um de nós indivíduos muito peculiares. Para uma adolescente, por exemplo, a fome pode ser menos importante que a atenção que ela angaria por causa do corpo perfeito, resultando em anorexia. O fator psicológico, nesse exemplo, (necessidade de carinho) suplanta o biológico (fome).
O pensamento judaico-cristão preconizou a orientação de que o ser humano desse menos vazão aos seus instintos terrenos e fosse mais centrado em outros valores, ditos espirituais. Se por um lado isso trouxe mais respeito às nossas relações, por outro causou uma série de conflitos inomináveis para aqueles cujas paixões são incontroláveis. Winnicott, importante psicanalista inglês do século XX, diz que o homem maduro é um ser capaz de dar vazão às suas necessidades sem com isso tornar-se completamente anti-social, identificando-se com a sociedade sem sacrificar sua espontaneidade. Porém, o paradigma social nos instiga a olvidarmos o que queremos e somos. Espera-se que não sejamos maus, não sintamos raiva ou ódio, não queiramos vingança, não procuremos desvairadamente a melhor posição social, mesmo que seja alcançada à custa de um de nossos pares. Sendo absolutamente realista, diria que isso equivale a pedir a um macaco que não pise nas cabeças de outros macacos do grupo para conseguir o melhor fruto da árvore. Sendo um do grupo, pediria que não pisassem em minha cabeça, por favor.
É nesse espírito que assistimos a Ensaio sobre a Cegueira (baseado no livro homônimo de Saramago) e encontramos o pior de nós mesmos estampado diante de nossos olhos e sendo jogado sem cerimônia contra nós. Vemos a vilipendiada condição humana, quando o lustro social não mais impera e a animalidade encontra vazão na busca pela sobrevivência. Não a sobrevivência meramente física e biológica, mas aquela que depende da sanidade do ser, destituído das estratégias que construímos ao longo de milhares de anos de sociedade, beirando, por isso, a loucura. Quando a cegueira branca se alastra pela humanidade como uma epidemia da qual somente a esposa de um médico é poupada sem explicação, um grupo é colocado em quarentena pelo governo. Confinados, recebendo parcas rações, reduzidos a animais, cometem abusos e absurdos. Tanto no filme quanto no livro, fica claro que tudo o que vemos acontecer é resultado de uma dor incomensurável e da necessidade de se proteger das ameaças externas, que agora não são mais visíveis e que podem, por isso, vir de qualquer lugar e a qualquer hora. E assim, voltamos a ser animais, matando, estuprando, roubando, traindo quem nos ama, espancando-nos uns aos outros e defecando no chão.
Não posso me furtar a pensar que, apesar de não apresentarmos a cegueira branca, nós somos assim, estes mesmos animais, porém cegos e loucos em muito menor grau. Esta é a condição humana. Fazemos o que nos é possível para sobreviver, para lidar com nossas frustrações, paixões e ansiedades, medos e angústias, pisando nas cabeças de outros da nossa própria espécie, em busca do fruto mais saboroso. Porém, isso não é reprochável. Só é digno de pena. Porque é uma necessidade do ser humano recorrer a válvulas de escape (lícitas ou não) nessa grande panela de pressão que é a sociedade. O mais curioso é que somos nós mesmos que fechamos a panela e instalamos a válvula – álcool, drogas, sexo, religião e quaisquer outros paliativos imaginários para minimizar o medo, a angústia, a frustração de não podermos dar vazão às nossas pulsões.
Sendo cozidos por todos os lados, a mentira cor-de-rosa mostra-se altamente refrescante, livrando-nos da situação constrangedora de não querermos contratar a candidata que não teve bom desempenho na entrevista, de não pretendermos mais sair com aquela determinada pessoa que perdeu interesse sexual para nós, ou , ainda, de termos que expressar nossa opinião sobre o vestido horroroso de lycra roxa e laranja da amiga gorda. Não sofremos do mal da cegueira branca, mas todos nós fingimos não enxergar o que está acontecendo enquanto mentimos desvairadamente em busca de paz. Será que algum dia conseguiremos ver sem tanto medo?
Agradecimentos: Gostaria de agradecer imensamente às psicólogas Alice L. Luzes (PUC-SP) e Elisa Amaral (USP-SP) por todos os momentos de discussão que culminaram nas conclusões expostas neste artigo.
Honestidade. Com "H" maiúsculo.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Conjecturas
- Por que ele olhou então?
- Porque você está muito bonita hoje.
- Ah, mas se foi isso, então por que ele não olhou logo quando eu cheguei?
- Por que talvez ele não tenha visto você chegar, oras!
- Hm... talvez. Mas não acho que seja isso. Será que ele quis se fazer de desinteressado?
- Não.. acho que não... sinceramente? Acho que ele não viu você mesmo.
- Então por que ele falou aquilo?
- Aquilo o quê?
- Que eu me escondo.
- Ah, veja só como tenho razão! Deve ser porque não viu você chegar mesmo.
- Duvido! Acho que ele quis mesmo foi me provocar.
- Provocar? Por que ele faria isso?
- Não sei... – ela pára com o dedo segurando a pálpebra e aponta o lápis para mim. Enquanto fala, vai desenhando suas conjecturas no ar - Por que ele segurou minha mão? E por que não segurou depois, quando eu quis? Por que andou do meu lado como se quisesse conversa? E por que desdenhou minha companhia e foi tomar café com os amigos quando saímos da sala de aula?
- Ai, meu Deus! Quantas perguntas! Você quer me deixar louca?
- Não ria do meu sofrimento.
- Sofrimento? – estou agoniada com tantas perguntas.
- Sim, você não vê que sofro? A expert em ciências aqui é você. Ajude-me a resolver essa equação!
- Equação? Que equação?
- Desta situação inusitada e frenética na qual me encontro!
- Não estou entendendo!
- Como não está entendendo? Ele não me quer!
- Quem disse isso?
- Está visível agora, não está?
Meu silêncio a deixa consternada. Não sei o que dizer. Sei que ele a quer. É visível e aferível. E o desenrolar dos fatos se mostra dolorosamente previsível. Porque eu o quero. Mais do que ela, que o descartará em algumas semanas, como faz com todos os que acabam sendo enredados por seus cabelos lisos, loiros e longos.
Eu o quero para sempre. Mas meus cabelos são cacheados e ficam eriçados em dias de chuva. Ainda assim, ouso querê-lo para sempre. Ou pelo menos, para o todo-sempre no qual um amor pode persistir. Devo dizer algo, ela me olha com o olhar delineado e desconfiado.
- Olha, vamos lá para fora, você está perdendo tempo. Temos somente alguns minutos antes do término do intervalo – digo, finalmente, sem muita convicção.
Ela joga o delineador caríssimo na bolsa obscenamente cara também. Arruma os seios perfeitos e volumosos devido ao recente implante, joga os cabelos para baixo e depois para cima com um movimento rápido da cabeça. Por alguns segundos, eles parecem flutuar no ar, brilhando como se fossem feitos do mesmo material das asas das fadas, que, quando voam, espargem aquele pó dourado; depois caem , escorregando pelos ombros torneados dela. Devo admitir, ela é linda. Dói-me perceber que sou apenas sombra. Dói-me ainda mais entender que até as mariposas preferem a luz.
São já semanas de angústia, assistindo o jogo que ela promove, bailando graciosamente, indo por vezes ao encontro dele e, por outras, repelindo qualquer aproximação. Ela me diz que é assim que se faz. Eu, porém, penso que seria mais fácil sentar-se à mesa e tomar um café, discutindo as idiossincrasias da sociedade. Mas quem se importa com o que eu penso?
Saímos do banheiro. Ela na frente. Ele está parado, conversando animadamente, em meio a alguns colegas. Seus olhos brilham, ele se despede do grupo e vem ao nosso encontro. Sei que hoje será o dia que me sentirei em pedaços. Em poucos minutos, ele a convidará para sair. Hoje é o último dia de aula antes das férias de julho. Não há mais tempo a perder. Nos poucos passos que o separam de nós duas, uma eternidade, sinto o choro preso inchando a garganta e fazendo arder meus olhos. Como no desenho animado, percebo o coração estilhaçando, os caquinhos suspensos apenas pela iminência da vergonha. Não posso e não devo fazer qualquer ruído. Qualquer um sabe que cacos de coração caindo no chão em meio aos colegas da faculdade fazem muito barulho. Praticamente um estrondo! Melhor mesmo será deixá-los cair no silêncio do meu quarto. Despencando no colchão, ainda úmidos das lágrimas, ninguém os ouvirá.
Ela abre um sorriso, que mais se assemelha a um colar de qualquer gema mais branca que a pérola. E mais reluzente. Simplesmente perfeito. Quando ela sorri, duas covinhas se formam no rosto cuidadosamente bronzeado no salão de estética. Simplesmente perfeito.
Ele está a dois passos de nós. Olho para o chão, para que não me vejam chorar de tristeza. Afinal, hoje será o dia deles. O dia em que o mundo celebrará o mais novo casal enamorado do orbe. Serei somente uma boba apaixonada vertendo lágrimas de rejeição. Não, eles não podem me ver assim. Abro minha bolsa barata, procurando algo. Cicuta, talvez? Encontro o maço de cigarros. Havia prometido parar, mas a resolução esmaece rapidamente. Procuro pelo isqueiro, enquanto ele, já próximo, nos saúda alegremente. Tremo in-sa-na-men-te agora. Onde está o isqueiro???
Ele pede para falar com ela a sós. Pergunta se me importo, eu aceno que não com a cabeça e digo “vai lá!” com o descaso projetado para essas horas. Afinal, sendo a melhor amiga dela desde o cursinho, esta é a melhor saída. Não cursar disciplinas juntas também seria uma estratégia, se fizéssemos a mesma graduação. Graças aos intelectos diametralmente opostos, havíamos entrado em cursos diferentes. Porém, essa disciplina havia se mostrado muito tentadora, ainda que fosse extra-curricular... Ele havia tido a mesma idéia. E apesar de nunca nos termos visto em alguma aula de Cálculo ou de Mecânica, eu o reconheci imediatamente quando veio falar com ela a primeira vez. Eu estava junto. Na sombra. Como sempre.
“Não é impressionante que você ainda não tenha se acostumado?”, pergunto a mim mesma. “Cadê essa porcaria de isqueiro? Preciso fumar, droga, se eu for pedir um fósforo na recepção eles verão meus olhos vermelhos! Mas eu tinha certeza que havia deixado um isqueiro aqui! “
Através das lágrimas que insistem em marejar minha visão, percebo os dois conversando perto do balcão. Não contentes em embaçar-me olhos, as lágrimas agora resolvem cair, inundando a face. Corro para o banheiro. Pego papel toalha e acabo borrando o delineador de marca genérica que uso às sextas-feiras, para esconder o tom cansado. Junto ao nariz nada envaidecedor que porto, agora inchado, os olhos constituem um conjunto verdadeiramente bizarro.
“Preciso me controlar!”, penso. “Que farei? Como sair dessa situação?”
Olho para as janelas do banheiro, mas elas são muito estreitas e estou acima do peso. Ela passaria pelas grades, silfidescamente, mas eu não. De que adiantaria? As janelas dão para o estacionamento, mas estamos no quinto andar. “Ótima saída!”, pondero. “Que besteira!”, percebo. Estou em frangalhos. Preciso fugir.
Porém, em um nanossegundo os eixos se invertem e o caos se instala. O universo busca a maior entropia sempre, não é o que dizem? Ela volta. Escancara a porta do banheiro e fuzila meu rosto molhado com os olhos injetados. Não entendo. Mas não há tempo para mais nenhuma conjectura. Ela dispara:
- Vai lá. Ele quer você. Sua traidora, você deu em cima dele sem me falar nada? Você sabe que estou apaixonada por ele e mesmo assim apunhala sua melhor amiga pelas costas?
Não consigo articular palavra. As lágrimas secam instantaneamente.
- Você e os seus emails. Eu já deveria saber! Nunca mais quero falar com você. Suma da minha frente e tomara que ele seja muito ruim de cama! Lista de discussão de Física Quântica, é? Nerds ridículos, todos vocês!
Ela tenta bater a porta, mas a mola a impede. Assisto enquanto ela se vai, cabelos esvoaçando. Ela é perfeita, mas ele prefere a mim. Tenho um acesso de riso. Olho no espelho. Até que não estou tão mal. Sim, vamos ao café e às idiossincrasias da sociedade. Algumas poucas vezes, parece-me, the pen, ou melhor, the keyboard is really mighter than the sword! Ou do silicone, como queira!