(x / 1992)
Descalça eu corro.
Pés nus sobre a rua de terra calçada de pedras piso nas pedras calco a rua piso forrado de pedras amasso-as afundo-as ainda mais na lama humilho matrato amarroto
piso piso piso !! as pedras pontiagudas estão no chão.
Meus pés estão sangrando.
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(out/2007)
O texto é de 92 mas o sentimento traduz a revolta oriunda da observação contínua do mundo e das pessoas. Apesar de já adulta ainda sou surpreendida pelas atitudes daqueles que chamaria de "meus pares" se não fosse o abismo que sinto, intransponível, entre mim e "eles": eu me importo.
Sou hiperbólica, traduzo minhas sensações em reações estapafúrdias cuja sonoplastia requer mil fonemas distintos, organizados de tal forma que o interlocutor por vezes considera minha internação em instituição pertinente.
Ah, senhores! Mas eu sinto!
Eu vivo!
Eu acompanho!
Eu observo!
Eu ouço!
Eu respondo!
Eu dou licença!
Eu ajudo a carregar!
Eu ensino!
Eu meço as críticas e as revisto de palavras mais doces, para que sejam digeridas e assimiladas, não rejeitadas!
Eu mudo de lugar!
Eu finjo ser o outro!
Nunca me perguntaram o porquê, mas se algum dia o fizerem, saberão: eu quero que esse mundo seja habitável por mais do que gladiadores e defensores de seus nadas particulares.
E por isso, e só por isso, eu durmo.
Eles não, mas eu sim.
Eu durmo!!
1 comentários:
*standing ovation*
Compartilho da sua revolta e das suas hiperbolices.
=)
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