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quarta-feira, 24 de outubro de 2007

(x / 1992)

Descalça eu corro.

Pés nus sobre a rua de terra calçada de pedras piso nas pedras calco a rua piso forrado de pedras amasso-as afundo-as ainda mais na lama humilho matrato amarroto

piso piso piso !! as pedras pontiagudas estão no chão.

Meus pés estão sangrando.

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(out/2007)

O texto é de 92 mas o sentimento traduz a revolta oriunda da observação contínua do mundo e das pessoas. Apesar de já adulta ainda sou surpreendida pelas atitudes daqueles que chamaria de "meus pares" se não fosse o abismo que sinto, intransponível, entre mim e "eles": eu me importo.

Sou hiperbólica, traduzo minhas sensações em reações estapafúrdias cuja sonoplastia requer mil fonemas distintos, organizados de tal forma que o interlocutor por vezes considera minha internação em instituição pertinente.

Ah, senhores! Mas eu sinto!

Eu vivo!

Eu acompanho!

Eu observo!

Eu ouço!

Eu respondo!

Eu dou licença!

Eu ajudo a carregar!

Eu ensino!

Eu meço as críticas e as revisto de palavras mais doces, para que sejam digeridas e assimiladas, não rejeitadas!

Eu mudo de lugar!

Eu finjo ser o outro!

Nunca me perguntaram o porquê, mas se algum dia o fizerem, saberão: eu quero que esse mundo seja habitável por mais do que gladiadores e defensores de seus nadas particulares.

E por isso, e só por isso, eu durmo.

Eles não, mas eu sim.

Eu durmo!!

1 comentários:

Jo disse...

*standing ovation*

Compartilho da sua revolta e das suas hiperbolices.

=)