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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Sinestesia

(set/93)
Teus olhos são surdos.
Teu tato, indiferente,
não vê as nuances de sorriso,
tampouco a brisa ingênua
que tolhe as palavras.
Tua boca é cega
e teus ouvidos, inertes,
não aspiram o aroma
dos amores divertidos,
dos gestos róseos de pôr-de-sol.
Em vão suspiros madrepérolas
atingem tua pele insensível.
Não vês razão no sabor macio
das ousadias que te rodeiam.
Nada te faz sentido
e ficas parado aí,
feito noite de verão suspensa no ar,
céu de namorados sem estrelas,
gota de licor sem textura.
Assumes o papel de idéia inacabada
e pendes, inerte,
por um fio de desconfiança....
És tão inabalável!
Não queres tu ensinar-me a ser assim?
Pudera eu tornar-me insensível
a tudo isto que me inspiras!

1 comentários:

Tata disse...

Isso é que eu chamo de inspiração. Menina, loucura total!!!!